Resenha IN: 5x Comédia – Primeiras Impressões da série original Amazon Prime

Série antológica aborda cinco perspectivas sobre a pandemia 

A Amazon Prime Video lança nesta sexta-feira (26), a série de comédia nacional 5x Comédia, a primeira produção brasileira original Amazon, que conta com grandes nomes do humor nacional no elenco, como Gregório Duvivier, Rafael Portugal, Samantha Schmütz e Katiuscia Canoro. 

A série é uma antologia com cinco episódios partindo de diferentes pontos de vista, abordando questões como sexo, trabalho, relacionamentos, família, solidão, medo e desejo de viver em estado de isolamento. O Canal In teve acesso antecipado à dois episódios, “Hipocondríaco” e “Colapso”. Confira agora as nossas primeiras impressões: 

A PANDEMIA COMO TEMA

A série é uma das primeiras produções nacionais a retratar os impactos da pandemia de coronavírus em nossa sociedade. Diferentemente das novelas e séries da Rede Globo, aqui o retrato é mais voltado para o humor, em uma estratégia arriscada de fazer comédia com um vírus que tem matado 3 mil brasileiros por dia. Mas, apesar desse impacto inicial, a série promove reflexões sobre desigualdade social, relacionamentos, confinamento e, principalmente, o medo. Partindo de uma premissa que mescla comédia e drama, os acertos são maiores do que os erros. 

Retratar a pandemia sobre um viés humorístico é uma premissa arriscada, que provoca inúmeros gatilhos no espectador, principalmente diante de uma situação que ainda se faz presente. A temática delicada, certamente não será uma unanimidade entre o público, como todo show humorístico. 

HIPOCONDRÍACO  

Esse episódio retrata uma das grandes consequências dessa pandemia, o cuidado excessivo – por vezes paranoico – com a higiene. De uma maneira exagerada, como uma verdadeira hipocondria, o protagonista vivido pelo Gregório Duvivier se tranca e confina toda a família dentro de casa para evitar a contaminação. Após apresentar um leve sintoma da Covid-19, o personagem se isola no quarto e faz com que todas as pessoas na sua casa fiquem confinadas até que o período de quarentena passe – mas que tende a nunca passar, dada a maneira como ele enxerga a situação. 

O episódio, que inicialmente pode ser visto como uma crítica aos cuidados exagerados (se é que existem cuidados em demasia durante essa pandemia) das pessoas com a pandemia da covid-19, acerta ao justificar a motivação do protagonista para além da sua hipocondria: cuidar da sua mãe. A cena em que o filho implora para que a mãe não saia de casa, temendo por sua vida, implorando para que ela se cuide, é uma das coisas mais tocantes – e reais – da abordagem da série. O protagonista encontra-se completamente apavorado pela ideia de perder a própria mãe.

Filmada em formato remoto, sem que os atores estivessem no mesmo ambiente, o episódio aproveita o tom de comédia para retratar situações usuais durante essa pandemia, como chamadas de vídeo, atividades online, yoga para desestressar, fit dance, dentre outros temas. 

No fim, hipocondríaco é um convite para a reflexão: qual será o limite do cuidado nessa pandemia? Há um limite? Ou tudo é válido na tentativa de proteger quem você ama? Para o protagonista, não há qualquer limite nesse objetivo.

COLAPSO 

Em “Colapso”, vemos uma forte crítica envolvendo as diferentes classes sociais e a forma como cada uma delas lida com a pandemia. Gabriel Godoy e Rafael Portugal são os protagonistas da história, que expõe as realidades do Brasil. 

Enquanto Edgar (interpretado pelo Gabriel Godoy) é um profissional bem sucedido do mercado financeiro, que está preocupado com os rumos das suas finanças durante a pandemia, Zezinho (interpretado pelo Rafael Portugal), é o zelador do prédio, que  não vê a sua mulher, Maria (Samantha Schmütz), desde o começo da doença, para não colocar a vida de ambos em risco com os transportes públicos. 

Aqui, a disparidade se faz muito presente e promove um questionamento imediato: a pandemia atinge o rico ou o pobre? Enquanto Edgar se mantém em seu luxuoso apartamento, confinado para não se infectar, não pensa duas vezes antes de mandar Zezinho fazer compras em seu lugar e este, dependente do trabalho e de qualquer remuneração extra, aceita sem pestanejar. 

A pandemia não deixa de existir para aqueles que precisam trabalhar todos os dias, colocando suas vidas em risco por conta de patrões que se dizem preocupados com o vírus, mas que não adotam quaisquer medidas para evitar que seus funcionários se exponham ao perigo da contaminação. Colapso, infelizmente, é a realidade nua e crua da sociedade brasileira durante a pandemia, um organismo desprovido de empatia pelo próximo.

Equipe Canal In

Repórter: Marco Dias

Editor: Ricardo Henrique

Foto: divulgação

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