AGOSTO DOURADO E OS BENEFÍCIOS DA AMAMENTAÇÃO

Especialistas ressaltam a importância desta campanha para a saúde dos recém-nascidos e das mães

O mês do Aleitamento Materno no Brasil foi instituído pela Lei nº 13.435/2.017 que determina que, no decorrer de agosto, serão intensificadas ações de conscientização e esclarecimento sobre a importância do aleitamento materno, intitulado de Agosto Dourado. O mês é conhecido dessa forma por simbolizar a luta pelo incentivo à amamentação – a cor dourada está relacionada ao padrão ouro de qualidade do leite materno. 

A docente do curso de Enfermagem da Estácio, Géssica Orrico, afirma que “a amamentação, além do papel fundamental de nutrição, é uma forma de estabelecer o vínculo, o afeto, a proteção a enfermidades e promoção da saúde mental e física entre o binômio mãe-bebê, é a melhor maneira de proporcionar o alimento ideal para o crescimento saudável e o desenvolvimento dos recém-nascidos, além de ser parte do processo reprodutivo, com importantes implicações para a saúde materna. Dentre os benefícios da amamentação à saúde da mulher, podemos citar o menor risco de câncer de mama e de ovário; menor índice de fraturas de quadril por osteoporose; e contribuição para maior espaçamento entre gestações, redução do sangramento após o parto e auxilia a mãe a voltar mais rapidamente ao seu peso anterior”, explica a docente.

O Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (Enani), pesquisa inédita desenvolvida pelo ministério da saúde brasileiro, destaca em seus resultados preliminares que os índices de aleitamento materno estão aumentando no Brasil Foram avaliadas 14.505 crianças menores de cinco anos entre fevereiro de 2019 e março de 2020. Porém é importante discutirmos que pouco mais da metade (53%) das crianças brasileiras continua sendo amamentada no primeiro ano de vida e entre as menores de seis meses o índice de amamentação exclusiva é de apenas 45,7% e nas menores de quatro meses, de 60%. Isso levanta um grande alerta na discussão em torno da maternidade, atividades laborais dessa mulher e o direito trabalhista da licença maternidade”, enfatiza a enfermeira.

A especialista destaca ainda que “é de extrema importância que as gestantes conheçam o processo de aleitar, durante os pré-natais, desde a produção do leite até o ato de amamentar. É essencial a preparação dessas mulheres para vivenciar a amamentação com o empoderamento necessário e, consequentemente, reflexão crítica, favorecendo assim, a desmitificação de possíveis tabus que possam impedir ou interromper tal prática.”, finaliza. 

Segundo Paula Soledade, nutricionista materno – infantil, mestre em Alimentos, Nutrição e Saúde e docente da Estácio, amamentar é muito mais do que alimentar. “É um ato de amor, cuidado e afeto que fortalece o vínculo entre mães e filhos”. A amamentação confere benefícios para a puérpera, contribuindo para a readaptação do corpo no pós – parto. A produção do leite materno exige uma demanda energética, que favorece a perda do peso adquirido durante a gestação, explica a especialista. 

“A soberania do leite materno em relação a outros leites e fórmulas lácteas destaca-se pela complexidade biológica devido a excelente composição nutricional e propriedades imunológicas, promovendo o crescimento e desenvolvimento adequados e reduzindo o risco de infecções nos bebês”, enfatiza.

De acordo com a psicóloga e professora do UniRuy, Livia Tohmé, é importante frisar que, do ponto de vista psicológico, o ato de amamentar não se resume à alimentação do bebê. O que está em jogo, para a psicologia do desenvolvimento, não é o “padrão ouro” do leite materno que nutre o bebê, e sim, os afetos, as palavras e o investimento emocional que a mãe, enquanto amamenta, dirige a seu bebê. 

“Também para a mãe, especialmente no puerpério, onde as oscilações hormonais e os fatores neuroquímicos estão atuando em seu estado emocional, o momento da amamentação é de relevância para a construção de um bom vínculo com seu filho. Especialmente quando a amamentação acontece de forma saudável, respeitando as possibilidades e desejos da mulher.Trata-se de um momento de forte conexão entre mãe e bebê, que pode estender seus benefícios para todo o desenvolvimento desta relação e para a constituição subjetiva deste bebê” complementa a especialista.

Contudo, a psicóloga explica que, embora existam diversas intervenções frente às dificuldades na amamentação, inclusive pelos profissionais da psicologia, por vezes estas dificuldades não podem mesmo ser ultrapassadas e o bebê/recém-nascido precisa usar outras formas de alimentação. A especialista ainda faz um alerta sobre as expectativas e cobranças sociais quanto ao aleitamento materno. “A impossibilidade da amamentação pode trazer sofrimento psíquico a esta mãe, o que pode também acarretar em dificuldades para a vinculação mãe-bebê. Por isso, é extremamente importante que a equipe neonatal esteja preparada para identificar sinais de risco de sofrimento psíquico na mãe em pós-parto, para que possam prestar acolhimento e acionar a necessidade da intervenção de um psicólogo”, conclui.

Equipe Canal In

Repórter / Editor: Ricardo Henrique

Foto: divulgação

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