CANAL IN’TREVISTA – KAYSAR DADOUR: DE REFUGIADO À ASTRO DE CINEMA

Refugiado sírio no Brasil, Kaysar Dadour ficou conhecido após participar da 18ª edição do Big Brother Brasil, sendo vice-campeão do programa. Acolhido pelos brasileiros, caiu no gosto do público e, rapidamente, ganhou destaque na novela Órfãos da Terra, em sua primeira participação como ator na Rede Globo. Hoje em dia, tendo conquistado a cidadania brasileira, participa da Dança dos Famosos no Domingão do Faustão e agora, estrela ao lado de Rodrigo Lombardi, o filme Carcereiros.

Com exclusividade, Kaysar contou para o Canal In algumas coisas sobre a vida como refugiado, seu trabalho recente como ator, seu papel no filme Carcereiros e muito mais. Confira a INtrevista:

Canal In: Você teve uma trajetória meteórica de sucesso: participou do Big Brother, depois foi escalado para a Novela Órfãos da Terra, está participando da Dança dos Famosos no domingão do Faustão e, agora, estrela o filme Carcereiros. Como é, pra você, lidar com toda essa as repentina? Como você lida com a fama, uma vez que  surpreendeu à todos com o seu talento como ator?

Kaysar Dadour: Sei lá (risos), eu não sei, graças a Deus, cara. Entrego tudo nas mãos de Deus e vou. Às vezes não tem o que pensar, é só trabalhar e agradecer, fazer o melhor e aprender, sempre. Estou estudando muito português, fazendo fono (fonoaudiologia), focado muito na dança, até porque tem ritmos de dança que eu nunca dancei na minha vida (risos), sabe? Então é trabalhar, sempre focado.

CI: Recentemente, você recebeu a cidadania brasileira. Gostaria de parabeniza-lo pela conquista e, aproveitando a deixa, te pergunto: como foi, pra você, conseguir essa conquista, após tanto sofrimento e provação, tendo que abandonar a sua família para sobreviver?

KD: Quando eu cheguei no Brasil, cheguei refugiado, pedi o refúgio. E aí, em qualquer lugar no mundo, quando se pede o refúgio, cada país tem regras diferentes. Tem países em que, após dois anos, eles dão a cidadania, e o Brasil dá a cidadania após 5 anos. Então eu fiquei aqui cinco anos aqui, não saí do Brasil, e depois, pude entrar no processo de cidadania. Entrei no processo e consegui a cidadania. E foi uma honra, sabe? Prometo que vou honrar a minha nova cidadania, porque o Brasil me acolheu muito bem, acolheu minha família, e o Brasil acolhe vários estrangeiros, refugiados, imigrantes, o Brasil é o coração do mundo, sabe? Acolhe todo mundo. É uma honra, na verdade.

CI: Em Carcereiros, você interpreta Abdel Mussa, um terrorista internacional. Qual foi a sua maior inspiração para viver esse personagem?

KD: O meu personagem se chama Abdel Mussa, é um terrorista internacional, que vai passar uma noite no presídio, e essa noite vai ser muito tensa, com vários tiros, e nesse presídio trabalha o Adriano (Rodrigo Lombardi). E para me preparar, eu tive o apoio do elenco, da direção, da produção, e aí, todo dia que eu ia para lá, ficava na cela, sozinho, fechava a porta, ficava deitado no escuro, para sentir o lugar. Tem um cheiro de medo lá que é muito forte. E aí, graças a Deus deu tudo certo, com o apoio do Rodrigo (Lombardi), do diretor, do Jackson (Antunes) e de vários atores.

CI: E como foi contracenar com o Rodrigo Lombardi?

KD: Ah, o Rodrigo é incrível. Ele me acolheu super bem, virou meu grande irmão. Nós viramos amigos, sabe? E eu sou muito grato à Deus por, no meu primeiro trabalho, conseguir conhece-lo, é uma grande honra e orgulho ter trabalhado com um ator como ele. Ele me ajudou muito. “Calma. Vai dar certo. Vamos em frente. Estamos aqui, juntos!”, ele dizia.Fazer um trabalho com grandes atores já é um peso, sabe? Eu tava muito preocupado. E o cara é muito gente boa, até demais, me acolheu super bem e eu me senti em casa. Cada vez que eu entrava em cena, ele ficava do meu lado. Sou muito grato à ele e, também, ao diretor Belmonte (José Eduardo Belmonte) e à toda equipe.

CI: Como a gravação do filme veio antes da novela, foi o seu primeiro papel como ator. E isso é até um pouco perceptível, pois a sua participação no filme é um pouco curta. Foi proposital essa duração?  

KD: Sim, foi o meu primeiro papel e, além disso, o filme tem uma virada. O público fica achando uma coisa, mas é outra completamente diferente. Eu acho isso muito legal, sabe? O público estava esperando uma coisa e, do nada, muda tudo. E muda para uma coisa real, porque fala de uma coisa que o Brasil tá passando, sabe? Então, foi muito importante.

CI: Foi difícil, pra você, viver no Brasil, um país com diversidade cultural, religiosa e étnica? Se sim, em que você sentiu dificuldade?

KD: Foi muito tranquila. Graças a Deus, o povo é muito carinhoso, caloroso, que apoia, é um povo muito bom. Fui sempre bem recebido aqui. Não tenho do que reclamar, só agradecer. Até lembro que, quando cheguei no Brasil, não falava nada em português, nem uma palavra, e não estudei português, aprendi no dia-a-dia, e foi tudo muito engraçado no começo (risos), porque ninguém entendia nada, nem eu mesmo entendia o que eu falava. Mas o povo sempre tentava me ajudar, meus amigos, foi incrível.

Equipe Canal In

Repórter: Marco Dias

Editor: Ricardo Henrique 

Fotos: Canal In / Internet 

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