Exposição interativa mescla arte indígena com tecnologia no MAM.

Com linguagens variadas, aliando o uso das tecnologias analógicas e digitais, a mostra ‘Arte Eletrônica Indígena: Uma Exposição Interativa’ reúne obras cocriadas entre indígenas brasileiros e artistas do Brasil, Reino Unido e Bolívia, no Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM). A mostra segue até 2 de setembro, recebendo o público de terça a domingo, das 13h às 18h. As criações abordam temas como a reivindicação de terras, da preservação da memória e do diálogo entre gerações, destacando também a cultura indígena na música, na fotografia e no audiovisual.

Durante a criação, os autores fizeram vivências em nove comunidades da Bahia, Alagoas, Pernambuco e Sergipe. De acordo com Sebastian Gerlic, presidente da ONG Thydêwá, responsável pela exposição, as obras ajudam a quebrar paradigmas. “Para muitos, o conceito de arte ainda está firmemente associado com a arte europeia. Pensam que os povos indígenas só fazem artesanato e coisas menores, e esse projeto mostra justamente o contrário, que eles produzem um conteúdo muito valioso, artisticamente, e que precisa ser preservado e conhecido”.


A exposição, apoiada pelo Fazcultura, mostra a união entre tecnologias e a história indígena. Para a professora de história Kátia Lima, a aproximação com o mundo digital favorece a difusão do que é produzido nas comunidades. “Eu achei a ideia maravilhosa. Unindo esse patrimônio cultural maravilhoso que eles produzem nas aldeias, com as infinitas possibilidades que o mundo digital favorece. É uma exposição muito bonita”, elogiou.


Para o superintendente de Promoção Cultural, da Secretaria de Cultura do Estado (Secult), Alexandre Simões, a temática casa perfeitamente com o MAM. “É um equipamento cultural importantíssimo para Salvador e todo o estado, e a culminância de um projeto como esse estimula que as pessoas aprendam mais e estabeleçam um hábito harmônico, de convivência e de reconhecimento da importância da arte e da cultura indígena”.

Tauaná Kariri-xokó participou de vivências com artistas do Reino Unido, num trabalho que concentrou-se no rio Opara, afluente do rio São Francisco. “Sermos ouvidos é tudo o que e a gente precisa. É importante que possamos trocar experiências como essa, assim podemos nos reconhecer como irmãos. Somos todos um povo só dessa terra, negros, brancos e os índios. Somos irmãos”, afirmou.

 

 

Fotos: Mateus Pereira/GOVBA

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