IN’TREVISTA: FABRÍCIO BOLIVEIRA, ATOR, SER HUMANO E PROTAGONISTA DO FILME SIMONAL

Como um dos grandes atores brasileiros da atualidade, Fabrício Boliveira se destaca por sua simplicidade e atuações carregadas de vivacidade. Com uma performance inconfundível, deixou sua marca em personagens como Bastião, da novela Sinhá Moça, o Saci Pererê do Sítio do Pica-Pau Amarelo, Roberval, da novela O Segundo Sol, João de Santo Cristo, do filme Faroeste Caboclo e, agora, o cantor Simonal.

Com exclusividade, Fabrício contou para o Canal In algumas coisas sobre a sua vida, sua carreira, sobre a sua relação com a história do cantor Wilson Simonal e muito mais. Confira a INtrevista:

Canal In: Antes de começar, gostaria dizer que estou um pouco nervoso, porque é a primeira entrevista que faço em toda a minha vida.

Fabrício Boliveira: Que sorte meu irmão, que sorte a minha! Vai ficar na tua memória, inesquecível na tua memória. Que bom, que honra!

CI: Aproveitando a deixa, queria começar te perguntando sobre o início da sua carreira. Você tinha algum sonho que já realizou? Ainda há algum sonho que você queira realizar?

FB: Fazer cinema era um sonho que eu tinha desde o início. Me intrigava, me seduzia a ideia de ficar imortalizado em uma máquina, sabe? E que depois, de algum jeito, fica também em uma imagem, para sempre. Não sei, talvez por ter assistido Superman (risos). Lembra daqueles granitos, daquelas pedras de diamante que eles voavam e aparecia o pai do Superman? Eu acho que isso, no meu imaginário, tinha um pouco a vercom o cinema. E amplio isso porque acho que era uma coisa que já havia em mim, uma conexão com a arte e a política, sabe? De entender que a arte é política também, política da vida, política da relação, política do dia-a-dia, política de respeito pelo outro. É um lugar onde consigo me comunicar hoje. Então é sonho/desejo/necessidade. Eu sinto que tenho uma necessidade. E um sonho que ainda tenho é o de tentar interpretar em outros idiomas.

CI: Atuar em filmes estrangeiros, por exemplo?

FB: Sim. Eu já fiz um filme em espanhol. Estudei espanhol na minha vida, no segundo grau. Então tenho essa ideia. Fiz um filme no Uruguai, mas estou afim de trabalhar em outros lugares, fazer outras conexões. Mas o meu desejo é permanecer fazendo cinema aqui no Brasil.

CI: Hollywood seria uma opção?

FB: Hollywood seria mais uma opção, mas talvez não a única opção, e sim, mais uma possibilidade. Eu sou muito conectado com os roteiros, com a ideia que se quer passar, o quanto isso é importante para o hoje. Acho que mesmo se fosse um filme de Hollywood, tinha que ser um filme necessário, para além de ser um blockbuster. Não sei se faria o Homem-Aranha 10ou o 007 mil, mas gostaria de receber esses convites (risos).

CI: Na novela O Segundo Sol, você interpretou Roberval, personagem um pouco controverso, digamos assim. Ele tinha uma carga social muito forte, ao passo que também conseguia mesclar uma certa vilania, um lado mais maléfico/sarcástico, o que é completamente oposto à Simonal. Você consegue traçar um paralelo entre os dois? Quais aspectos os diferenciam e quais os aproximam?

FB: São personagens bem diferentes que vivem em contextos diferentes, épocas diferentes, mas eu acho que tem uma coisa que os une: a dor e o perigo de ser um homem negro no Brasil. Acho que os dois carregam isso.

CI: Você foi escolhido para interpretar o Simonal, teve alguma seleção?

FB: Não, eu fiz alguns testes para interpretar esse filme.

CI: O que te chamou a atenção na história para interpretar o cantor?

FB: Eu já conhecia a história do Simonal por conta do Max de Castro, que fez a trilha sonora de um filme que eu tinha feito, o 400 contra 1. Então, quando conheci o Max, por conta do primeiro CD dele, Samba Raro, ficamos amigos e ele me contou toda a sua história de vida, que perpassa totalmente a história do pai dele. Fiquei abismado e essa história ficou em mim, me marcou. Então, quando soube da história do filme, fui fazer o teste já querendo fazer esse personagem, entendendo, intuitivamente, que tinha uma história, tinha um desejo mútuo ali acontecendo, quase como se estivesse conspirando para que isso acontecesse, que eu interpretasse o Simonal.

CI: Recentemente você trabalhou com a Isis Valverde em Faroeste Caboclo e agora repete a dobradinha em Simonal. Vocês possuem uma parceria, um trejeito de conhecer o outro, de saber como se ajudar mutuamente? Como é a sua relação com ela?

FB: Bastante, com certeza. Nossa relação é profissional e nós também somos amigos. Para além disso, há uma maturidade em entender o jeito um do outro. A gente já tinha construído um casal juntos, que tinha uma partitura de afeto. Dessa vez, portanto, a gente não poderia fazer um casal que tivesse a mesma sincronia. O que parecia um desafio, pra gente virou uma qualidade, como se a gente pudesse zerar, de algum jeito, e reconstruir uma relação que já vinha de uma outra época, um outro período, uma outra história. Chamamos o mesmo preparador de Faroeste, que já estava atento às nossas conexões. E fizemos mais trabalhos juntos. Eu trabalhei com a Isis em Faroeste, em Boogie Oogie, em Sinhá Moça, então a gente já se conhecia bastante. Foi um desafio que virou uma vitória. Em pensar que a gente pode, também, se reconstituir. Dois amigos, dois atores. Podemos fazer personagens diferentes e até mesmo, fazer o terceiro casal hoje (risos). Acho que a gente ainda tem material pra isso.

CI: Você prefere fazer televisão ou cinema?

FB: Eu prefiro boas histórias, independente da linguagem que ela venha. Gosto de falar de histórias necessárias.

 

Equipe Canal In

Repórter: Marco Dias

Editor: Ricardo Henrique

Fotos: Genilson Coutinho / Dois Terços 

 

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