Número de casos de obesidade em cães cresce 108% em 10 anos

O levantamento divulgado pelo Banfield Pet Hospital, em 2020, leva em conta os 3 milhões de atendimentos realizados por ano, nos Estados Unidos, e revela como a rotina dos humanos interfere na saúde dos animais; na Bahia, empresa cria plataforma chamada Crossdog, um método de treinamento físico que une tutores e pets em busca de hábitos saudáveis

Uma pesquisa publicada em junho de 2021 indica um crescimento, entre 2011 e 2020, de 108% no número de casos de obesidade em cães atendidos pelo Banfield Pet Hospital, uma rede de centros médicos veterinários com mais de 1.000 unidades nos Estados Unidos

O estudo do centro especializado tomou como base uma média de 3 milhões de atendimentos anuais e entrevistou 1.000 tutores, confirmando que os hábitos dos humanos contribuem para que cada vez mais os pets desenvolvam o sobrepeso a partir da reprodução de rotinas pouco saudáveis.

Entre os entrevistados, 93% admitiram ter participação direta nas atitudes que culminaram com o quadro de obesidade dos animais de estimação.

Destes, 46% afirmaram ceder quando o cão implora por comida ou guloseima. Vinte e três por cento sequer prestavam atenção à dieta oferecida. Outros 30% disseram não saber as melhores estratégias para evitar o sobrepeso dos pets.

Quando o tema é atividade física, 29% dos tutores admitiram não conseguir exercitar o cão devido aos próprios problemas de saúde ou mobilidade. Por fim, 26% disseram não ter tempo de exercitar o pet.

Numa estratégia para queimar calorias, fortalecer músculos, estimular a disciplina e estreitas os laços entre tutores e pets, a médica veterinária baiana Dijara Santos e os educadores físicos Ana Clara Matos e Fred Brito desenvolveram a plataforma Crossdog, um método de treinamento físico para cães.

E após um “longo período de isolamento social, provocado pela Pandemia da Covid-19, a prática esportiva compartilhada entre cães e humanos pode ser uma ferramenta de desenvolvimento mútuo de hábitos saudáveis”, conforme afirma a especialista.

Dijara Santos lembra que “antigamente, os cães eram selecionados para dividir ou executar algumas tarefas para os seus donos, como caçar, puxar trenó, nadar em busca das presas recém-abatidas, servir como guias e guardas, entre outras funções. Com a modernidade, as raças foram se modificando e passaram a ser desenvolvidas para oferecerem companhia, e não somente para o trabalho, porém a necessidade de dissipar energia é uma condição intrínseca da espécie, independentemente de sua função”.

Estudos comprovam o aumento de neurotransmissores capazes de gerar sensações como alegria, recompensa e bem-estar, quando o tutor compartilha de momentos de satisfação ao lado do pet. As pesquisas indicam o aumento da produção nas duas espécies do “hormônio do amor”, como é chamada a oxitocina.

Com o desenvolvimento do Crossdog, Dijara Santos afirma que o propósito vai além do exercício físico e se adapta a cada tipo de animal, respeitando as características, estimulando a agilidade, a resistência, a concentração, reduzindo a agressividade e promovendo o adestramento sutil.

Equipe Canal In

Repórter / Editor: Ricardo Henrique
Fotos: Divulgação/ Bruno Grangeon

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