Patrícia Galvão, a Pagu, é homenageada em peça no Teatro Martim Gonçalves

 

Espetáculo que conta a história da militante brasileira entra em cartaz dia 18 de janeiro, em curta temporada, com entrada gratuita

Patrícia Galvão, Mara Lobo ou Solange Sohl. Militante comunista, escritora, poeta, diretora de teatro, tradutora, desenhista, cartunista ou jornalista. Muitos nomes e adjetivos podem ser atrelados a Pagu, mas a frase que a melhor define é: grande mulher da História do Brasil. É a voz dessa personalidade que a peça EU PAGU leva ao palco do Teatro Martim Gonçalves, com entrada gratuita.

O espetáculo faz apenas três apresentações, de sexta (18) a domingo (20). Sexta e sábado a apresentação será às 20h e no domingo às 19h. EU PAGU é um projeto do grupo A Panacéia, que em 2019 completa 11 anos. A curtíssima temporada é a formatura em Artes Cênicas pela UFBA da diretora convidada pelo grupo, Letícia Bianchi. A montagem é encenada pelas atrizes Camila Guilera, Larissa Lacerda e Larissa Libório.

EU PAGU é a terceira montagem dirigida por Bianchi, que venceu a última edição do Prêmio Braskem de Teatro na categoria revelação. Ela foi escolhida pela direção de Eudemonia – Em Memória a uma Peça Nunca Encenada, seu primeiro espetáculo. Em agosto, ela estreou Memórias do Mar Aberto: Medeia Conta sua História, com a atriz Vivianne Laert no papel principal. Os três projetos enfocam no protagonismo feminino, marca com a qual a artista busca construir a carreira como diretora.

Vida, paixão e luta

A peça sobre Pagu convida o público a visitar as próprias paixões e a necessidade de lutar por suas causas. Em cena, além das atrizes, há uma banda formada apenas por mulheres instrumentistas. O texto é autoral, construído de forma coletiva e conta com canções inéditas das compositoras Jadsa Castro, Larissa Lacerda e Sandra Simões.

O espetáculo faz um recorte da vida de Pagu até os 30 anos, período em que militou pelo Partido Comunista, foi casada com Oswald de Andrade, esteve envolvida nas revoluções artísticas e movimentos políticos que movimentaram o país nos anos de 1930 e precisou usar diversos pseudônimos. Sua relação com a militância, com a maternidade, com os homens, com a intelectualidade e com a escrita são algumas das questões levadas à cena.

EU PAGU tem espírito de palanque, congrega linguagens e artistas de diferentes segmentos e trajetórias, com potencial de agregar públicos. É uma obra que nos faz pensar sobre a realidade político-social do Brasil de ontem e hoje. Pagu é uma voz de mulher que ousava vociferar nos palanques num tempo em que as mulheres não podiam participar da vida pública. Entre os anos de 1920 e a atualidade, seguem se perpetuando opressões e diversas violências no Brasil, porém persistem também as lutas travadas por tantas ‘Pagus’ que ao longo do tempo empunharam seus corpos e vozes para bradar por condições mais justas, igualitárias, livres”, afirma Camila Guilera, atriz, diretora de produção do espetáculo e uma das fundadoras d’A Panacéia.

A Panacéia é um grupo de teatro composto por criadoras-pesquisadoras da cena. Nasceu em 2008 e caracteriza-se por realizar uma ampla gama de atividades em produção, pesquisa e difusão das artes cênicas, tais como: criação e circulação de espetáculos, apresentações artísticas, debates, oficinas, publicações virtuais e organização de eventos. Entre as realizações do grupo, destacam-se o espetáculo Dorotéia (2010), com direção de Hebe Alves; o projeto A Face Oculta da Lua, que deu origem à performance de rua Lua Caída (2013) e aos espetáculos Lua Crescente (2013) e Lua Cheia (2015).

A Panecéia assina a produção em parceria com o Cooxia Coletivo Teatral. Como espetáculo de formatura, ele conta com orientação acadêmica da professora Deolinda Vilhena, artística do professor João Sanches, ambos da Escola de Teatro da UFBA, e musical de Luciano Salvador Bahia. A coreografia e direção de movimento são assinadas por Bárbara Barbará.

SERVIÇO

EU PAGU

De 18 a 20 de janeiro

Sexta e sábado, às 20h; domingo, às 19h

Teatro Martim Gonçalves

Entrada grátis

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