Performance “Banho de Sangue” denuncia altos índices de feminicídio e extermínio de pessoas negras no Brasil

 

 

No dia 31 de julho, quarta-feira, o Encontro de Estudos Multidisciplinares em Cultura (Enecult) inicia as atividades com a apresentação gratuita da performance “Banho de Sangue”, da artista Luzia Amélia Marques. O evento acontece às 18h, no auditório da Faculdade de Arquitetura da Universidade Federal da Bahia (UFBA), na Federação. Na performance, Luzia denuncia a violência contra mulher no Brasil, expressa nos altos índices de feminicídio, além do extermínio de pessoas negras. As inscrições para o XV Enecult podem ser feitas até o dia 26 de julho, no link: www.enecult.ufba.br

De acordo com Luzia, o processo criativo surgiu da necessidade sobre o que acontece em sua cidade natal, Teresina, e no estado do Piauí como um todo. “São muitos crimes de feminicídio e percebi que não existia uma posição nossa, das mulheres. Dominavam as narrativas dos programas policiais, além das visões dos advogados de defesa dos homens que matavam. Especialmente, quando são mulheres pretas”. Segundo ela, é como se a sociedade não reconhecesse todas as histórias que existem nos corpos das mulheres negras. “Aconteceu uma morte muito violenta em Teresina: um cara matou uma moça com, aproximadamente, 28 facadas. Eu falei: ‘isso é um banho de sangue’. E aí toda a performance nasceu”.

Da necessidade de falar da morte de mulheres no país, outra questão: a prefeitura de Teresina quer desapropriar famílias moradoras da comunidade de Boa Esperança por conta de um acordo entre o Banco Mundial e alguns empresários da cidade. Ela explica que, em 25 anos atuando como artista, está envolvida em questões relacionadas à voz das minorias. “Na verdade, somos maioria: pessoas pobres, negras, indígenas, corpos trans. Corpos que a sociedade não escuta, não vê, como se fossem pessoas invisíveis. ‘Banho de Sangue’ acontece como um ritual para continuar vivendo com aquela dor”.

Ela conta que a apresentação no Enecult será a primeira vez que não nasce é por uma causa triste. “É para mostrar como sigo dançando com essas questões e de que modo elas podem furar o nosso cotidiano. Dançar no Enecult é um jeito de dizer que a dança está presente não só como entretenimento, ela está presente como um dizer”.

 

SERVIÇO

Performance “Banho de Sangue”

Quando: 31 de julho, quarta-feira, às 18h

Onde: Auditório da Faculdade de Arquitetura, na Universidade Federal da Bahia

Rua Caetano Moura, nº 31 – Federação

Gratuito

 

 

Foto divulgação

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