Resenha “IN” do Filme Annabelle 3: De Volta Para Casa (Annabelle Comes Home, 2019)



“Sentiu minha falta?”



Brinquedos (ou mais especificamente bonecos) são abordados de forma recorrente em filmes de Hollywood. Seja pela fácil ligação que estes possuem com o público infantil (e com a rentabilidade gerada com os inúmeros produtos licenciados que são vendidos à posteriori), ou pelo lado oposto, da identificação do público adulto com a temática dos brinquedos como criaturas assustadoras. O fato é que várias obras cinematográficas retratam diferentes aspectos de algo comumente associado à infância. À título de exemplo, apenas no mês de junho de 2019, foram lançados três filmes que envolvem bonecos como elemento principal das suas tramas: Toy Story 4 (continuação da franquia de sucesso da Disney/Pixar, voltada para o público infantil), Brinquedo Assassino (Child’s Play, reboot da franquia dos anos 90, doboneco assassino Chuck) e Annabelle 3: De Volta Para Casa.

A primeira aparição da boneca Annabelle se deu no filme Invocação do Mal (The Conjuring, 2013), no prólogo deste. Com o passar dos anos, o universo proporcionado por esse filme se expandiu, gerando continuações (The Conjuring 2, 2016), spin-offs, como os próprios filme da Annabelle (Annabelle, 2014 e Annabelle: Creation, 2017), bem como de outros personagens (The Nun, 2018 e The Curse of La Llorona, 2019). Tal como o universo cinematográfico da Marvel, a previsão é que o universo de Invocação do Mal continue a se expandir.

Annabelle 3, portanto, é um filme que serve como expansão do universo proposto pela Warner Bros., em conjunto com o diretor James Wan. Situado antes do primeiroInvocação do Mal, conta a história de como os Warren obtiveram a boneca e a levaram para a sua casa.

O filme se inicia justamente com o casal de demonologistas, interpretados novamente por Patrick Wilson e Vera Farmiga, recolhendo a boneca Annabelle da casa de uma família completamente aterrorizada, que afirma que a boneca estava possuída por alguma entidade maligna. LorraineWarren (Vera Farmiga), então, trata de explicar que espíritos não possuem objetos, mas sim pessoas, e que Annabelle tem, por si só, a capacidade de atrair esses espíritos malignos.

Nesse começo do filme, o destaque fica por conta da atuação da Vera Farmiga, que consegue transparecer, apenas com o olhar, as sensações que o casal de demonologistas tem de enfrentar ao transportar a boneca em seu carro. A horda de espíritos que Annabelle consegue atrair põe em risco a vida de Ed Warren (Patrick Wilson), o que motiva o casal a trancafiar a boneca em sua “sala especial” para artefatos que, de alguma forma, estiveram envolvidos em eventos sobrenaturais.

Após um ano desse primeiro incidente envolvendo os Warren, somos introduzidos à personagem de Judy Warren (Mckenna Grace), filha do casal. Judy, assim como sua mãe, é médium e consegue sentir a presença dos espíritos pairando ao seu redor.

Com a fama dos pais, Judy não consegue ter uma vida normal na escola, sendo alvo de bullying por parte de seus colegas. Ela, contudo, é defendida por sua babá, Mary Ellen (Madison Iseman) que, juntamente com sua amiga Daniela (Katie Sarife), complementam o trio de protagonistas do filme. O alívio cômico (forçado e desnecessário) fica por conta de Bob (Michael Cimino), interesse amoroso de Mary Ellen.

A partir dessa perspectiva tripla das protagonistas, temos os seguintes cenários: Daniela é atormentada pelo seu passado e se culpa pela morte do seu pai; Mary Ellen é insegura e se vê em uma constante luta para se firmar como indivíduo, enquanto tem de “flertar” com Bob; e Judy tem de lidar com alguns traumas que envolvem o histórico nebuloso dos seus pais. As três, portanto, possuem uma propensão a atrair espíritos “aproveitadores”.

O filme, contudo, faz uso de alguns recursos clichê do gênero para dar ritmo à narrativa como, por exemplo, as chaves que trancam a sala de artefatos do Warren estarem no escritório do casal, sem qualquer tipo de proteção, bem como avisos de “Não entre!”, “Não abra!”, que são completamente ignorados pelos personagens (em especial, por Daniela).

Feitas as ressalvas, o filme empolga ao entregar protagonistas com reações autênticas. O medo estampado no semblante das atrizes faz com que o espectador consiga comprar a sensação de pavor que elas estão sentindo com toda a situação. Ademais, por não fazer uso de jump scares, o filme consegue subverter a lógica dos sustos, tornando-os imprevisíveis (particularmente, me assustei duas vezes ao longo da história).

O uso de paletas escuras para compor a atmosfera do filme consegue ser, ao mesmo tempo, benéfica e maléfica para o espectador. A sensação de pavor e medo se aprimora quando não se sabe o que está provocando tudo aquilo. Contudo, não conseguir enxergar nada acaba prejudicando a narrativa, pois gera desinteresse na trama. Em certos momentos, principalmente no terceiro ato do filme, é quase impossível distinguir os objetos e pessoas na cena. Ao longo do filme, não consegui evitar o pensamento de que, se o filme fosse lançado em 3D, o que veria seria apenas um borrão preto na tela.

Comparado com os filmes anteriores, Annabelle 3: De Volta Para Casa possui um ritmo mais enérgico, um roteiro que não está preocupado com explicações, mas sim com a criação de uma atmosfera de terror, atuações impecáveis, uma fotografia que deixa a desejar em cenários mais escuros (mas que compensa com os jogos de câmera ao redor dos personagens) e uma trilha sonora (instrumental, em sua maioria) que consegue despertar uma sensação de angústia por parte de quem está assistindo ao filme. Se a presença do Patrick Wilson e da Vera Farmiga fosse maior, com certeza estaríamos diante de um Invocação do Mal 3.

Com perspectivas de ampliar a franquia com spin-offs de outros personagens, como a noiva e o samurai que aparecem ao longo da trama, Annabelle 3: De Volta Para Casa entretém e assusta à todos que se permitirem assistir ao filme sem grandes expectativas. Gary Dauberman (diretor do filme), não possui a técnica do James Wan, mas entrega um filme honesto em sua proposta.




NOTA: 7,5/10

FICHA TÉCNICA:

Annabelle 3: De Volta Para Casa (Annabelle Comes Home, 2019)

Duração: 106 minutos

Diretor: Gary Dauberman

Gênero: Terror

Estrelando: Mckenna Grace, Madison Iseman, Katie Sarife, Vera Farmiga, Patrick Wilson e outros.

Estreia nacional: 27 de junho de 2019

 

 

Equipe Canal In

Repórter / Resenha: Marco Dias 

Editor: Ricardo Henrique 

Fotos: divulgação 

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