Resenha IN do Filme As Golpistas (Hustlers, 2019)

Em 2015, Jessica Pressler publicou, na revista norte-americana New Yorker, um artigo que, anos mais tarde, seria adaptado para as telonas, em um filme protagonizado pela Jennifer Lopez. E As Golpistas (Hustlers, 2019), é baseado na história real de um grupo de strippers, que desenvolvem um método para roubar os clientes, muito deles diretores e investidores de Wall Street.

O filme se inicia com Destiny (interpretada pela Constance Wu), em 2007, se preparando para começar a sua performance no bar de streaptease. A cena de abertura acontece em uma espécie de plano sequência, onde seguimos Destiny enquanto ela se desloca do camarim até o palco. E logo a vemos em ação, seduzindo um jovem empresário.

Apesar de todo o trabalho, o dinheiro conquistado por Destiny tem que ser dividido entre o dono do bar e o segurança, o que a deixa com pouquíssimo lucro. Sem muitas expectativas, ela segue trabalhando.

Tudo muda quando ela conhece Ramona (Jennifer Lopez), uma stripper experiente, que serve de mentora para Destiny. Juntas, elas começam a agir em esquemas lucrativos, roubando dinheiro dos frequentadores do bar de uma forma muito simples: primeiro, os deixavam bêbados, para depois, fazê-los gastarem o seu cartão de crédito de forma desenfreada.

A parceria entre Destiny e Ramona estava funcionando perfeitamente, até 2008, quando ocorreu a crise econômica dos Estados Unidos, após a falência do banco Lehman Brothers. Destiny tenta mudar de ramo, mas além de não ter experiência em nada, com a crise, ninguém queria emprega-la. A partir desse momento, e junto com Ramona, elas precisam reinventar o golpe. Para isso, são adicionadas à trama duas novas personagens: Mercedes (Keke Palmer) e Annabelle (Lili Reinhart).

O mais interessante da história fica por conta do modo como a história é narrada, em forma de flashback, no ano de 2014. Constance relata para Elizabeth (Julia Stiles), jornalista, toda a sua experiência enquanto stripper, para a confecção de um artigo – justamente o artigo em que o filme se baseia.

Jennifer Lopez é a personagem mais desenvolvida da história, roubando a cena e despertando, por parte do público, mais interesse em sua trajetória do que a da Destiny. Ela prende a sua atenção, sua entrega ao papel é visível, a começar pelas cenas de pole dance, e uma indicação ao Oscar como atriz coadjuvante não seria um exagero (ganhar já é outra história).

A trilha sonora possui artistas que estavam em alta entre 2007 e 2012, como Sean Kingston, Britney Spears, Usher, FloRida, David Guetta, entre outros, dando à narrativa um aspecto, ainda que forçado, de temporalidade.

O roteiro da Lorene Scafaria, baseado no artigo da Jessica Pressler, não está preocupado em explicar como as coisas funcionam, valendo-se da repetição para que o espectador entenda o que está sendo retratado. É comum, portanto, vermos o mesmo esquema das golpistas se repetir inúmeras vezes.

As Golpistas é um filme que retrata problemas contemporâneas sobre a ótica de quem se encontra à margem da sociedade. Se a crise econômica trouxe prejuízos para as elites, as pessoas que estão no poder, quem depende do trabalho diário para sobreviver passou (e ainda passa) por maiores dificuldades. Pode ser, uma síndrome de Robin Hood moderna.

Nota: 6,5/10

FICHA TÉCNICA:

As Golpistas (Hustlers, 2019)

Duração: 110 minutos

Direção: Lorene Scafaria

Estrelando: Constance Wu, Jennifer Lopez, Julia Stiles, Lili Reinhart, dentre outros.

Estreia Nacional: 05 de dezembro de 2019

Distribuição: Diamond Films

Equipe Canal In

Repórter: Marco Dias

Editor: Ricardo Henrique 

Fotos: Divulgação 

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