Resenha IN do Filme As Rainhas da Torcida (Poms, 2019)

Se você tem um sonho, lute por ele!

Em seu discurso no Oscar desse ano, após ganhar a estatueta de Melhor Canção Original por “Shallow”, pelo filme Nasce Uma Estrela (A Star is Born, 2018) Lady Gaga comoveu à todos ao dizer que devemos correr atrás dos nossos sonhos e jamais desistir:

“Não é sobre ganhar, mas é sobre não desistir. Se você tem um sonho, lute por ele.”

Apesar de parecer clichê (principalmente por vir de uma artista que conquistou tudo com o seu talento inquestionável), o discurso sintetiza, com destreza, uma verdade que apenas a vida nos é capaz de ensinar. Por mais lindos que sejam os nossos sonhos, se não formos atrás deles e lutarmos, nos dedicando à cada dia, jamais se realizarão.

O cantor Emicida, em sua música “Levanta e Anda”, afirma que somos os únicos representantes dos nossos sonhos na face da Terra, portanto, se não formos atrás do que queremos, nada vai mudar. A vida acontece e ficamos para trás, perdendo espaço para outros objetivos, que nunca serão capazes de nos deixar felizes ou realizados.

O sentimento que fica quando nossos sonhos não são correspondidos é a frustração. Quanto mais o tempo passa, percebemos uma crescente desilusão, uma sensação de fracasso por ter medo de arriscar. E nos contentamos com uma vida medíocre, sem grandes realizações (ou, realizações que nos deixam realmente felizes).

As Rainhas da Torcida, filme da diretora Zara Hayes, possui essa premissa: o arrependimento. De maneira cômica, o filme retrata a vida de Martha (Diane Keaton), uma mulher que, após desistir do tratamento de um câncer que estava acometendo o seu útero, decidi se mudar para uma comunidade de aposentados, com o intuito de viver tranquilamente o tempo de vida que lhe resta. Porém, ao conhecer Sheryl (Jacki Weaver), suas expectativas são completamente subvertidas.

De antemão, o ponto alto do filme é a amizade entre Martha e Sheryl. As atuações da Diane Keaton e da JackiWeaver nos fazem comprar a ideia da amizade inusitada entre as duas. Enquanto Martha é mais retraída, Sheryl é completamente o oposto. A complementariedade entre elas é a força motriz do filme, conduzindo-nos a situações cômicas.

A maior revelação (que não chega a ser exatamente uma surpresa – até pelo pôster do filme) fica por conta de um uniforme de animadora de torcida, pertencente à Martha. Ela revela para Sheryl que, quando jovem, tinha o sonho de ser líder de torcida, mas que após inúmeras tentativas, teve que abrir mão do seu objetivo para cuidar de sua mãe. E, desde então, a vida aconteceu e ela nunca mais teve outra oportunidade.

A fala de Martha, emotiva, tenta perpassar um sentimento de frustração, de incompletude por não ter realizado tudo aquilo que queria. E, é justamente no final da vida que ela terá outra oportunidade de realizar o seu sonho (e, ao menos, morrer feliz e realizada).

Ao lado de Diane Keaton e Jacki Weaver, Alisha Boe(Chloe) é a outra atriz que possui um certo destaque no filme (por sua fama na série 13 Reasons Why). O restante do elenco é composto por personagens esquecíveis e atuações discretas. E, apesar do enfoque em Alisha, sua personagem nada mais é do que uma versão menos complexa psicologicamente do seu papel na série da Netflix. Porém, ela entrega uma boa atuação, juntamente com as duas protagonistas (o que segura a atenção do público).

Isento de surpresas (ao melhor estilho filme da Sessão da Tarde), As Rainhas da Torcida passa uma mensagem positivapara o espectador ao reforçar que nunca é tarde demais para correr atrás dos nossos sonhos. Se o filme não tem nenhum recurso estético atraente, ou uma trilha sonora marcante, ao menos o recado deixado é promissor.

NOTA: 5,5/10

Ficha Técnica:

As Rainhas da Torcida (Título Original: Poms, 2019)

Duração: 90 minutos

Gênero: Comédia/Drama

Diretora: Zara Hayes

Estrelado por: Diane Keaton, Jacki Weaver, Alisha Boe e outros.

Estreia nacional: 25 de julho de 2019

Equipe Canal In

Repórter / Resenha: Marco Dias

Editor: Ricardo Henrique 

Fotos: divulgação 

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