Resenha IN do Filme Era Uma Vez em Hollywood (OnceUpon a Time In Hollywood, 2019)

Uma ode à vida em Hollywood nos anos 60

Grandes diretores marcam sua presença na história do cinema fazendo filmes que despertam o interesse do espectador, deixando, consequentemente, sua marca na indústria cinematográfica. Seja por intermédio de bons roteiros, atores ou efeitos visuais impactantes, seu legado permanece ao longo de anos, servindo como referência para outros cineastas e entusiastas do audiovisual.

Quentin Tarantino conquistou fama como diretor nos anos 90, com filmes que desafiam, provocam e enriquecem a cultura pop. Suas narrativas subversivas, repletas de violência, com referências à inúmeros filmes B dos anos 60/70, além da sua verborragia, contribuíram para a formação dos amantes do cinema na contemporaneidade. Particularmente, Tarantino foi a minha porta de entrada para a paixão pelo cinema, me fazendo ir atrás de outros grandes diretores e, consequentemente, de grandes filmes.

Era Uma Vez em Hollywood é o nono filme da carreira de Quentin Tarantino. Segundo o diretor, este é o seu penúltimo filme antes da aposentadoria (o que é uma pena). Cercado de simbologias e particularidades, além de um humor verborrágico e exposição de elementos autorreferenciados, o filme retrata uma Hollywood nos anos 60, durante a ascensão da seita de Charles Manson (que fica como plano de fundo na história principal).

Tarantino usa e abusa de todos os elementos cinematográficos possíveis, contando três histórias de maneira simultânea. Rick Dalton (Leonardo DiCaprio) e Cliff Booth(Brad Pitt) são, respectivamente, ator e dublê tentando sobreviver em Hollywood. Suas vidas, entrelaçadas por um forte vínculo de amizade, se entrecruzam com o diretor Roman Polansky (Rafal Zawierucha) e a atriz Sharon Tate (Margot Robbie), vizinhos de Rick. A partir desse momento, Tarantino divide os personagens: Rick Dalton fica imerso nos sets de gravação, Cliff Booth fica perambulando por Hollywood (e acaba conhecendo a seita liderada por Charles Manson) e Sharon Tate vive o deslumbre da carreira de uma atriz em ascensão.

Há o uso da metalinguagem, recurso por meio do qual o diretor fez referência aos próprios gêneros cinematográficos dentro de uma mesma obra, em especial o western. Além disso, Tarantino utiliza cenas reais de filmes da atriz Sharon Tate durante uma exibição em um cinema. A própria obra Bastardos Inglórios (Inglorious Basterds, 2009), filme do diretor, é referenciada durante uma conversa entre Rick Dalton e Marvin Schwarz (Al Pacino). Mas todas essas são referências óbvias, pois o amor pelo cinema é o maior destaque e elemento utilizado para contar a narrativa de forma orgânica.

A época escolhida para situar a narrativa é outro ponto a se mencionar. Tarantino se situa em uma época de desconstrução dos padrões hollywoodianos, encabeçada pela Nouvelle Vague francesa (a qual o diretor se posiciona como um adepto pós-moderno).

As atuações de Leonardo DiCaprio, Brad Pitt e Margot Robbie estão impecáveis. Os atores se valem do roteiro composto de diálogos repletos de excessivas informações e velocidade na fala para entregarem personagens limítrofes. DiCaprio interpreta uma versão “tarantinesca” de si mesmo: o ator bonito demais, que sempre ambiciona mais, porém acaba caindo no clichê do galã que só tem a beleza a oferecer. Pitt, por sua vez, é bonito demais para ser dublê, tendo que lidar com a frustração de ter passado do ponto para atuar (digamos assim), além de carregar o fardo do passado pela morte da sua mulher (que teria sido assassinada por ele). Já Robbie está endeusada. A versão tarantinesca de Sharon Tate representa um tributo a artista, tragicamente assassinada pela família Manson.

Talvez, o único ponto negativo na história resida em dois motivos: é preciso amar o cinema e conhecer a história envolta por trás da trama para compreendê-lo em sua íntegra, caso contrário a obra perde significativamente o sue valor. Contudo, como preencho tais requisitos, não vejo qualquer defeito.

Grandes diretores fazem grandes filmes. Tarantino, mais uma vez, provou que o seu amor pelo cinema transcende qualquer barreira, motivo pelo qual é possível considera-lo como um dos maiores cineastas da atualidade. Se você está esperando um desfecho trágico para o filme, lembre-se: “Written and Directed By Quentin Tarantino” e aprecie.

 

NOTA: 10/10

Ficha Técnica:

Era Uma Vez em Hollywood (Once Upon a Time in Hollywood, 2019)

Duração: 161 minutos

Gênero: Comédia/Drama

Escrito e Dirigido por: Quentin Tarantino

Estrelando: Leonardo DiCaprio, Brad Pitt, Margot Robbie e outros

Estreia Nacional: 15 de agosto de 2019

 

Equipe Canal In

Resenha: Marco Dias

Editor: Ricardo Henrique 

Fotos: divulgação 

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