Resenha IN do Filme Histórias Assustadoras Para Contar no Escuro (Scary Stories To Tell In The Dark, 2019)

O terror, talvez, seja o mais subjetivo dos gêneros cinematográficos, justamente pelo desafio de assustar o público. O que pode ser aterrorizante para uns, pode não surtir o mínimo efeito para outros. Além disso, com o surgimento do subgênero do pós-terror (ou melhor, com a sua ascensão nos últimos anos), e a sua leva de filmes que não fazem uso de recursos clichê do terror tradicional, tornou-se cada vez mais difícil não criticar obras genéricas, óbvias e superficiais, sem qualquer aprofundamento, seja em sua própria mitologia, seja no desenvolvimento dos personagens.

Filmes como Nós (Us, 2019), Hereditário (Hereditary, 2018), Corra (Get Out, 2017), Um Lugar Silencioso (A QuietPlace, 2018), revolucionaram o que se entende por terror e nos tornaram mais criteriosos (nosso paladar para digerir filmes do gênero se tornou mais rebuscado, digamos assim). Nesse sentido, é preciso que filmes que apelem para um lado mais clássico do horror possuam algum diferencial. E Histórias Assustadoras Para Contar no Escuro (Scary Stories To Tell in the Dark, 2019) optou por incluir o nome de Guillermo Del Toro como elemento distintivo.

O filme, baseado nas obras do escritor Alvin Schwartz, se inicia em meio ao Halloween dos anos 60, onde um trio de adolescentes, Stella (Zoe Margaret Colletti), Chuck (Austin Zajur) e Auggie (Gabriel Rush) se encontram para pedir doces. Contudo, por conta de uma pegadinha elaborada por Chuck para enfrentar os valentões da escola, eles são obrigados a fugir e acabam conhecendo Ramón (Michael Garza), um imigrante que acaba se tornando o mais novo membro do grupo de amigos e interesse amoroso de Stella.

 

Durante a fuga, o grupo decide “visitar” uma casa mal assombrada, a mansão da família Bellows, onde encontram um livro (o MacGuffin do filme) e o levam para casa. Segundo a história, uma jovem da família Bellows, Sarah, escrevia no livro histórias que, em dado momento, se tornaram amaldiçoadas (bem como a garota).

O livro, contudo, começa a escrever as próprias histórias, com sangue, e envolvendo cada um dos personagens em um show de horrores (esses, por sinal, muito bem feitos). Um espantalho, um homem torto, aranhas, fantasmas, assombrações de um modo geral, aparecem para ditar o ritmo da trama, o que, até certo ponto, seria positivo para a história.

O grande problema de Histórias Assustadoras reside em suas obviedades. Adolescentes que querem abrir portas sem necessidade (apenas por curiosidade), o grupo que se separa para procurar soluções (mas que acaba causando mais problemas), o uso de estereótipos para os personagens (o esperto, o bobalhão, a novata, dentre outros) e o excessivo uso de jumpscares são apenas alguns dos problemas narrativos do filme.

Em se tratando do elenco, a situação piora ainda mais. Austin Zajur não funciona como alívio cômico, Zoe Margaret Colletti e Michael Garza não possuem química, Dean Norris aparece pouquíssimas vezes em cena (o que impossibilita uma análise mais aprofundada) e Gabriel Rush é um personagem para compor grupo, apenas. Por fim, Austin Abrams interpreta Tommy, um valentão que só serve para atormentar os protagonistas e compor elenco (você já esteve em filmes melhores, fazendo papeis melhores, Austin).

O livro, por fim, é o grande MacGuffin do filme, porém você não consegue se importar com a preocupação dos garotos em destruí-lo, o que inviabiliza qualquer vínculo com a motivação dos personagens.

O grande mérito do filme são seus efeitos práticos. As criaturas são realistas e assustam (ao menos com alguma delas você ficará apavorado). Ponto para o Del Toro, especialista na construção de monstros.

Histórias Assustadoras Para Contar no Escuro é, em resumo, um filme de terror longo demais sem nenhum apelo atrativo para o público. Sua trama é rasa, genérica e óbvia, e não cria qualquer vínculo entre o espectador e os personagens. O grande acerto fica por conta das criaturas, que são realmente assustadoras (como o próprio nome do filme já dá a entender). Divertimento simples e seguro, sem grandes desafios como o gênero do terror tem proporcionado à todos os amantes de cinema nos últimos anos.

 

Nota: 5/10

Ficha Técnica

Histórias Assustadoras Para Contar no Escuro (Scary Stories to Tell in the Dark, 2019)

Gênero: Terror

Duração: 111 minutos

Direção: André Ovredal

Estrelando: Zoe Margaret Colletti, Michael Garza, Gabriel Rush e outros.

Estreia nacional: 08 de agosto de 2019

 

 

Equipe Canal In

Repórter / Resenha: Marco Dias

Editor: Ricardo Henrique 

Fotos: divulgação