Resenha IN do Filme Homem-Aranha: Longe de Casa (SpiderMan: Far From Home, 2019)

Hey oh, let’s go”

The Ramones, a banda norte-americana de punk rock, popular nos anos 80, possui uma especial relação com o Homem-Aranha. Ao gravarem um cover da música tema do herói, ditaram um ritmo mais enérgico e condizente com a personalidade do personagem, eternizando a canção.  

O grupo já embalava a trilha sonora dessa nova versãocinematográfica do Homem-Aranha. Se no primeiro filme vemos a música mais conhecida da banda (Blitzkrieg Bop) ditar o ritmo de algumas cenas, em sua continuação, a canção que contempla o arco do Peter Parker (Tom Holland) e da MJ (Zendaya) fica por conta de “I Wanna Be Your Boyfriend”.

Após os eventos de Vingadores: Ultimato (Avengers: Endgame, 2019), Peter Parker/Homem-Aranha possui uma única preocupação: conseguir conquistar a garota por quem está apaixonado. Para isso, ele conta com a ajuda de seu colégio, que promoverá uma excursão escolar de duas semanas para algumas cidades da Europa (uma eurotrip de verão para os americanos). Como todo adolescente, Peter quer apenas descansar, tirar férias (nada mais justo depois de tudo o que aconteceu em Ultimato).

Contudo, heróis não tiram férias. Novas ameaças surgem e as habilidades de Peter são requisitadas por Nick Fury (Samuel L. Jackson). Tendo que lidar com o legado deixado pelos Vingadores, tentando conciliar as responsabilidades de um super-herói com a sua vida como adolescente americano “comum”, Peter se vê em um dilema: ele estaria preparado para ser tudo o que esperam que ele seja?

Em Homem-Aranha: De Volta ao Lar (Spider Man: Homecoming, 2017), era necessário apresentar os personagens que integrariam o universo/realidade do Homem-Aranha/Peter Parker. Já em Longe de Casa, com estes já consolidados e conhecidos pelo público, permite-se explorar outros elementos, como relações entre alguns deles e novas dinâmicas de grupo, até mesmo com a introdução de novos personagens à trama.

A relação entre Peter e Ned (Jacob Batalon) dá lugar à uma relação envolvendo Ned e Betty (Betty Brant); Tia May (Marisa Tomei) e Happy Hogan (Jon Favreau) também possuem algum nível de envolvimento; e há, até mesmo, a tentativa da criação de um triângulo amoroso envolvendo Peter, MJ e Brad (Remy Hii).

A adição de Jake Gyllenhall ao elenco merece destaque. Seu personagem, o Mysterio/Quentin Beck, possui uma dualidade que se encaixa perfeitamente com os trejeitos do ator (talvez o meu lado fã do ator esteja falando mais alto, porém o seu carisma traz novas perspectivas para a história). Apesar de interpretar um vilão, a motivação deste é perfeitamente justificável (presumir que todas as pessoas amam os Vingadores, e em especial Tony Stark, é um erro).

Tom Holland, em sua quinta aparição como Homem-Aranha no Universo Cinematográfico da Marvel, consolida-se como o melhor ator que já interpretou o personagem até o momento. Através da sua expressão, ele consegue transmitir as sensações típicas de um adolescente em conflito, seja pela busca da autoaceitação ou dos dilemas da puberdade, seja pela responsabilidade em ser um herói que representa muito para todos que o cercam (e para a população mundial, vale lembrar).

O diretor Jon Watts, responsável também pelo primeiro filme, consegue transmitir para a narrativa um tom característico dos filmes do John Hughes (Clube dos Cinco, Curtindo a Vida Adoidado, A Garota de Rosa Shocking, dentre outros), criando um ambiente juvenil repleto de humor e música, mas com um subtexto que consegue dialogar não só com os jovens, mas com todas as gerações. Se em O Clube dos Cinco, há uma abordagem sobre a necessidade que os adolescentes têm de serem ouvidos e compreendidos, em Longe de Casa, Peter Parker precisa impor sua voz para conquistar seu espaço.

Apesar dos elogios, o ponto negativo do filme fica por conta do roteiro, que parece não se interessar em explicar algumas contradições (isso é resolvido apenas em cenas pós-créditos, mas de forma insuficiente). O arco envolvendo o Mysterio possui motivação, mas a lógica por trás de toda a situação é questionável, principalmente no que diz respeito ao Nick Fury. Há um Macguffin (um objeto perseguido sem qualquer explicação narrativa) que incomoda, por servir como justificativa para determinadas ações (o que não deveria acontecer).

Homem-Aranha: Longe de Casa é um encerramento ideal para o arco do infinito, demonstrando como as consequências do estalo de Thanos repercutiram na vida da sociedade. O ritmo mais leve, descompromissado e bem-humorado serve de alívio para a carga dramática que Vingadores: Ultimato deixou nos fãs. Além disso, o filme expande o Universo Cinematográfico da Marvel e nos prepara para o futuro, principalmente com as cenas pós-créditos (são duas, ao todo). Assim como a música tema do personagem, o telespectador sairá da sessão com a seguinte frase na mente: “Cuidado … aí vem o Homem-Aranha.”

Nota: 9/10

Ficha Técnica:

Homem-Aranha: Longe de Casa (Spider Man: Far From Home, 2019)

Duração: 129 minutos

Gênero: Ação, Aventura, Quadrinhos

Diretor: Jon Watts

Estrelando: Tom Holland, Zendaya, Jake Gyllenhall, Jon Favreau, Marisa Tomei, Samuel L. Jackson e outros

Estreia Nacional: 04 de julho de 2019

Equipe Canal In

Repórter / Resenha: Marco Dias

Editor: Ricardo Henrique 

Fotos: divulgação 

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