Resenha “IN” do Filme Rainhas do Crime (The Kitchen, 2019)

Adaptações de histórias em quadrinhos não são algo novopara a indústria cinematográfica. Filmes como V de Vingança(2006), Dredd (2012) e Constantine (2005), ou até mesmo as séries de TV, como Sandman (recentemente adquirida pela Netflix) e Preacher (produzida pelo canal AMC), todas essas, obras do selo Vertigo da DC Comics, que possui histórias destinadas para o público adulto, são grandes exemplos da transição dos quadrinhos para o audiovisual.

Rainhas do Crime (The Kitchen, 2019) surge como uma nova adaptação de HQ do selo Vertigo para os cinemas, contando a história de três mulheres – Kathy (MellissaMcCarthy), Claire (Elisabeth Moss) e Ruby (Tiffany Haddish) nos anos 70, que assumem o comando da sua cidade (Hell’sKitchen – que, apesar do nome, não possui qualquer relação com o personagem da Marvel, o Demolidor) no lugar dos maridos, presos. Trata-se, em verdade, do gerenciamento do legado de gângsteres que as esposas assumem e passam a comandar.

O filme se inicia com uma canção do James Brown,interpretada por Etta James e intitulada “It’s A Man’s Man’sMan’s World”, que diz: “Este é um mundo de homens, mas não seria nada sem uma mulher ou uma garota”, frase que serve como gatilho para demonstrar qual a linha narrativa que a história pretende adotar desde o começo (o enfoque no lado feminino). As protagonistas estão insatisfeitas e frustradas com a vida que levam, completamente dependentes dos maridos (e sofrendo com o tratamento que recebem).

Tudo muda quando seus esposos são presos e elas precisam de renda para sobreviver. Por serem mulheres sem formação alguma (por levarem uma vida como donas de casa), sofrem rejeição do mercado de trabalho e decidem assumir o nome da família para fazer negócios e acordos pela cidade. Sofrem, contudo, com a oposição de Little Jackie Quinn (MykWatford), antigo “chefe” de seus parceiros.

Para solucionar esse empecilho com Little Jackie, elas recorrem à Gabriel (Domhnall Gleeson), antigo assassino de aluguel que havia fugido da cidade por ter se envolvido em problemas com os maridos de Kathy, Claire e Ruby. Mais sanguinárias que os parceiros, as três logo fazem aliança com Gabriel e conseguem assumir o controle de Hell’s Kitchen.

O primeiro ponto de destaque do filme fica por conta da trilha sonora que conta com músicas de artistas como Rolling Stones, Fleetwood Mac, Heart, Linda Hopkins e outros. Há uma forte batida de R&B que soa constante ao longo da trama e passa um ar neo-noir para a história, típico de filmes sobre gângsters.

As atuações, ainda que um pouco caricatas (dada a superficialidade dos personagens nas HQ’s), também impressionam. A personagem por quem o público consegue criar mais empatia é a Claire (Elisabeth Moss). Apática, retraída e sem saber impor sua voz, ao longo da trama ela aprende a se posicionar como uma figura, de fato, ameaçadora. Há, inclusive, uma cena onde Gabriel ensina para as mulheres como desovar um corpo, cortando pedaço por pedaço e, das três, Claire é a única que demonstra real interesse, sem sentir qualquer tipo de aversão (a cena, inclusive, é bem cômica).

Baseado no sucesso de As Viúvas (Widows, 2018), é provável que a Warner quisesse emular o sucesso do longa (já que a história é similar e há uma leve aproximação entre as obras), valendo-se do momento e do discurso do Girl Power (o que é válido no atual cenário da indústria audiovisual, com o surgimento de filmes representativos). O grande problema reside na estruturação do roteiro, que torna o filme cansativo e, por vezes, confuso. O desenvolvimento das personagens poderia ter sido melhor executado, ao invés da exposição gratuita da violência.

Rainhas do Crime traz uma mensagem positiva por ser um filme representativo. Contudo, isso não o exime dos problemas de roteiro e montagem, transformando-o em um filme esquecível.

 

NOTA: 6/10

Ficha Técnica:

Rainhas do Crime (The Kitchen, 2019)

Duração: 102 minutos

Gênero: Ação/Crime/Drama

Dirigido por: Andrea Berloff

Estrelando: Melissa McCarthy, Elisabeth Moss, Tiffany Haddish, Domhnall Gleeson e outros.

Estreia Nacional: 08 de agosto de 2019

 

 

Equipe Canal In

Repórter / Resenha: Marco Dias

Editor: Ricardo Henrique 

Fotos: divulgação 

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