SÉRIE INTREVISTA: TON DANTAS



Os encantos da Bahia já não são tão novidades para o mundo. Grandes escritores, artistas e historiadores da terra contribuíram para a fama do estado e perpetuaram no imaginário dos estrangeiros uma identidade quase que homogênea do nosso povo. O entrevistado dessa semana arrisca em abordar um lado pouco conhecido da Bahia através de sua arte. O cantor, compositor e instrumentista Ton Dantas se orgulha em dizer quem é e da onde veio.

Movido pelo sonho europeu, Ton é baiano, reside na França há 14 anos e tem uma história de vida incomum e nem um pouco previsível. Cheio de planos e sonhos o cantor já realizou um deles: voltar a sua terra natal para gravar um clipe de sua nova música. Conheça Wellington de Jesus Dantas, o Ton Dantas.

Canal In: Ton, compartilha um pouco da sua trajetória, como começou sua vida na música?
Ton Dantas: Eu sou baiano, natural de Itabuna, e fui pra França muito jovem, com apenas 19 anos através da minha habilidade com a bola. Eu era jogador de futebol profissional, joguei durante 17 anos profissionalmente, comecei no Atlético Mineiro e passei por vários times de vários países além da França, como Dinamarca, Emirados Árabes,  Catar e Suíça. Mas a música sempre esteve presente na minha vida, meu pai tinha uma escola de samba em Itabuna, então o contato era direto, aprendi a tocar violão cedo e hoje não consigo viver sem ele (risos), o violão é a base da minha música, é ele que me guia. E hoje me sinto um cantor realizado com o que faz.

C.I.: Como você define sua música? Como o público francês a recebe?

T.D.: A minha identidade e personalidade musical se referem a tudo que diz respeito à Bahia! Aqui eu realmente faço shows de música baiana, até porque aqui na Europa eles só conhecem samba. Eles não têm uma noção da diversidade musical que temos, quando se fala em Bahia e Brasil associam logo a samba e carnaval, e eu trago ritmos como o ijexá, axé e samba-reggae, que são novidade para os europeus,  eles pensam que ao vir no meu show vão ver uma roda de samba (risos) e ficam surpreendidos com novos ritmos e musicas muito menos conhecidas, e sempre foi bem recebida. Aqui já me apresentei em bares, casas de show e teatro, fiz aberturas de shows de artistas consagrados no Brasil como Maria Rita, Leonardo e Fábio Jr, e consegui conquistar o respeito do público.


C.I.: O seu trabalho é absolutamente fruto da herança baiana ou tem um pouco da França no que você faz?

T.D.: 100% baiana. Até porque a minha memória musical desde jovem foi da Bahia! Cresci ouvindo Gilberto Gil, Caetano Veloso, Olodum, então a música baiana já está na minha veia. Mas com muitos anos morando aqui na França, confesso que estou arriscando algumas canções no idioma francês, mas absolutamente a Bahia dentro de mim é muito forte, então logo se sobressai.  

C.I.: Não pude deixar de perceber no seu trabalho a devoção por sua religião presente na canção “Oxumaré”.  Sabemos que no Brasil as crenças de matriz africana sofrem com a intolerância religiosa, você sente o mesmo na França?

T.D.:  Minha religião é muito bem aceita, nunca sofri nenhum preconceito, pelo contrário. Sou candomblecista desde que me conheço por gente, e o candomblé na Europa é compreendido como uma cultura brasileira e os europeus admiram as vestimentas, dança comportamento, então aproveito esse espaço pra inserir minha música. Atualmente na Bahia o candomblé é menos aceito do que na França, porque lá eles não enxergam nossos rituais como macumba e feitiçaria, pra eles é uma manifestação cultural.

C.I.: Quais foram suas maiores dificuldade de se estabelecer em um país totalmente diferente do seu?  

T.D.: Com certeza a língua e o clima. Demorei um pouco pra me adaptar, mas não foi um grande problema pra mim, conheço alguns amigos que sofreram mais do que eu pra se acostumar a essas questões. Musicalmente falando, o fato de estar cantando em português uma música que poucos vão entender é um desafio. Mas eu percebo que o ritmo que imponho nas minhas musicas tocam as pessoas e faz com que elas se conectem.

C.I.: Quem são as pessoas que estiveram com você nessa jornada?

T.D.: Minha família que sempre está na torcida por mim aqui na Bahia, minha esposa, minha filha que tem 10 anos e meu produtor Jean-Marc, ele que acreditou e investiu no meu trabalho e produziu meu primeiro disco.


C.I.: Falando no primeiro disco, me fala mais sobre ele.

T.D.: Tá lindo! São 10 faixas mescladas com canções autorais e clássicos da música popular brasileira, o show de lançamento do disco aqui em Paris foi um grande sucesso, atingiu o limite de público. Tem uma música do Carlinhos Brown que gravei e tive a honra de receber elogios do próprio. A minha aposta é na música “Xá lá lá”, de minha composição, que é a razão de estar de volta a Bahia para trabalhar ela aqui. É uma música que acredito muito nela! O primeiro clipe já está sendo um sucesso nas redes sociais, mais de 370 Mil visualizações no Facebook  e 100Mil no Instagram.

C.I.: Bom, pra finalizar, me conta quais seus planos futuros com o sucesso do seu novo álbum?  Pretende retornar de vez pra Bahia?

T.D.: A minha meta é ter um pé aqui na Bahia como artista, o resto é consequência.

 

 

Equipe Canal In

Repórter: Lucas Gomes

Editor: Ricardo Henrique

Fotos: Canal In / Divulgação

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