SETEMBRO AMARELO – OS PROBLEMAS DA SÉRIE 13 REASONS WHY (OS 13 PORQUÊS)

No Brasil, o mês de setembro é dedicado a uma forte campanha de combate ao suicídio, que teve início em 2015 e ficou conhecida como “Setembro Amarelo”. São inúmeras as produções, seja no âmbito dos filmes ou das séries, que abordam a temática do suicídio. Mas algumas afazem de forma errônea. E 13 Reasons Why ganhou grande repercussão por tratar do assunto de forma irresponsável. Confira abaixo cinco razões que demonstram porque a série é problemática. 

1 – Simplifica o suicídio e perpetua a ideia de que é preciso culpar alguém

Como seres sociáveis, estamos sujeitos a nos relacionar com os mais diversos tipos de pessoas ao longo das nossas vidas, e essas relações nem sempre são positivas, acabam despertando sentimentos negativos, que servem como base para o processo de amadurecimento e autoconhecimento. Fazer fazer terapia para entender o impacto dessas relações em nossas vidas pode ajudar em um desenvolvimento saudável. 

Porém, quando 13 Reasons Why aborda temas como bullying e agressões sexuais, que afetam a saúde mental e são mais impactantes nos adolescentes, que estão justamente nesse processo de formação, ela trabalha com a ideia de que há um caminho direto e linear para que o suicídio tenha acontecido, acusando pais e colegas. 

O suicídio é algo complexo, que não pode ser definido de uma forma tão banal, colocando a culpa em alguém. Geralmente, o suicídio está associado a doenças mentais, como a depressão, a esquizofrenia, o transtorno de personalidade limítrofe ou o transtorno bipolar. 

Culpar alguém pelo suicídio de Hannah Baker não só retira o foco da necessidade de ajuda que a protagonista precisava, como é uma escolha muito fácil narrativamente e errada, em termos morais. 

2 – Dá base para mitos como “o suicida é egoísta”

A série é um prato cheio para pessoas que acreditam em mitos nocivos sobre o suicídio. Apesar de tentar confrontar o bullying, a história opta por fazer isso postumamente, sugerindo que o suicídio era a única maneira de fazer a voz de Hannah ser ouvida. Além disso, reforça a ideia de que ela não pensou nas consequências para as pessoas que ficariam após a sua morte, mas apenas em pôr um fim ao seu sofrimento.  

3 – Desconsidera as diretrizes sobre a elaboração de relatórios seguros e responsáveis sobre o suicídio

O retrato gráfico e detalhado do suicídio de Hannah (cena que foi removida posteriormente) é uma violação direta da pesquisa realizada pela Fundação Americana para a Prevenção do Suicídio e também de outras organizações de prevenção ao suicídio. Todas essas entidades apontam que o risco de suicídios adicionais aumentam quando a história é explícita e descreve o método de suicídio, usa manchetes dramáticas/gráficas ou imagens e cobertura repetida/extensa, além de usar o sensacionalismo ou romantizar a morte. 

4 – Não trata da doença mental na adolescência:

13 Reasons Why é uma das séries pioneiras ao abordar a temática do suicídio na adolescência, principalmente quando notamos que o seu público-alvo são pessoas nessa faixa etária. 

De acordo com uma pesquisa realizada pela Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), uma em cada seis pessoas com doenças mentais tem entre 10 e 19 anos, sendo o suicídio a terceira principal causa de morte entre adolescentes de 15 a 19 anos. Além disso, a pesquisa ainda afirma que metade de todas as condições de saúde mental começam aos 14 anos de idade, mas a maioria dos casos não é detectada nem tratada. 

Porém, 13 Reasons Why, em momento algum aborda a temática das doenças mentais. 

5 – Não há exemplo de busca por ajuda bem-sucedida:

Enquanto Hannah estava contemplando o suicídio e preparando as fitas, ela procurou ajuda pouco antes do momento derradeiro. Hannah, então, vai até o conselheiro da escola, só que ele não consegue compreender o seu estado mental, não conseguindo ajuda-la. Dessa forma, a série acaba enviando a mensagem de que a ajuda é inalcançável, que sempre há aquele estado de “tarde demais” para ser ajudado. 

Como se não bastasse o descaso com Hannah, depois de seu suicídio, seus colegas também não recebem qualquer ajuda. 

Diferentemente do que preconiza a série, o suicídio não é a solução. Se você precisa de ajuda, acesse a página do CVV – Centro de Valorização da Vida, ou ligue 188 e veja como há esperança, além de pessoas que acreditam que o suicídio não é a única saída. Você não está sozinho!

Equipe Canal In

Repórter: Marco Dias

Editor: Ricardo Henrique

Foto: divulgação

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