Exposição

Maria Carolina, neta de Batatinha, celebra o avô em exposição inédita no Xisto Bahia

Em cartaz até 13 de fevereiro das 8h às 12h e das 14h às 18h a mostra abre uma trilogia que representa os caminhos percorridos até a “conclusão” da transposição ao Camugerê

Composta por nove obras, a artista Maria Carolina, traz na exposição “Zara Tempo e o Camugerê, Agolonã”, referências aos rituais das religiões de matriz africana e também da sua vida pessoal. Inspirada em uma composição do sambista baiano Oscar da Penha, mais conhecido como Batatinha, seu avô, a artista expressa a relação dos elementos da natureza e a sua cosmovisão através da troca de energias do Orí (Cabeça) com o Àiyé (Terra em que vivemos) estando integrada as infinitas nascentes do Òrun(Lugar onde vivem os Òrìṣàs e encantados).

Com entrada gratuita, a mostra reúne nove telas onde a liberdade e a ancestralidade coexistem no mesmo princípio, uma teia que dança com elementos do imaginário, dos gestos onde a honra e os atos ancestrais acertam a essência da artista, como ser ativo nesta persecução, que assim como o tempo são fragmentos de espirais em construção.

“Zara Tempo e o Camugerê, Agolonã” reverência a conexão entre Iròkò e Èṣù, desvendando pergaminhos de conexões ancestrais, trazendo, nessa perspectiva, Agolonã como símbolo que representa a junção de Agô (licença) e Lonã ou Lonan (caminho ou qualidade de Èṣù) ou seja, pedimos licença para dar início a primeira dessa série de três exposições. Entremeando essa tríade teremos o momento de celebrar, justamente, o “Zara Tempo e o Camugerê, Agolonã”, seguindo com a exposição “Zara Tempo, Òrisùn Òmi Òrisùn Ẹmí (a fonte de água e a fonte da alma)” e fechando o movimento com a exposição “Zara Tempo e o Camugerê, Ajíjà, o epílogo”. Essa série representa o caminho espiral, os contornos dos ciclos vitais, o xirê.

Equipe Cana ln

Repórter / Editor: Ricardo Henrque

Foto: Helder Novais