O Longa-metragem, que está em fase de finalização, é dirigido, roteirizado e montado por Lara Beck.
O mar e os pescadores são temas de muitas canções, em especial, de artistas baianos. A relação do mar com os centros urbanos é uma característica bem forte da vivência de quem mora em Salvador. Com o intuito de visibilizar a vida desses trabalhadores e trabalhadoras do mar e das comunidades pesqueiras, a diretora, roteirista e montadora, Lara Beck, conta histórias de três personagens no longa-documentário “Onde a Onda Quebra”, que está em fase de pós-produção e deverá ser lançado em 2026.
As comunidades pesqueiras são espaços que nasceram como um braço da marinha, em 1860, para segurança nacional. Com o tempo, essas comunidades ganharam relevância e significados próprios. São autogeridos, acolhem quem precisa trabalhar, ensinam o ofício da pesca aos mais jovens e são redutos de uma cultura viva.
O estado da Bahia tem o maior litoral do país com mais de 1.100 quilômetros de extensão e sua capital, Salvador, conta com cerca de 50 quilômetros de orla marítima, uma das maiores extensões de praias do Brasil. “Onde a Onda Quebra” propõe investigar e adentrar nesse universo para mostrar quem são essas pessoas que vão para o mar e o manguezal todos os dias.
“Eu nasci em Salvador e passei parte de minha infância entre comunidades pesqueiras e cidades grandes. O mar sempre fez parte da minha vida e, então, um dia me perguntei: por que compro peixe no mercado e não com quem pescou? Comecei a frequentar as colônias, e entre um pescado e outro, a gente se conhecia. Um dia, com Albergaria, choramos juntos num pôr do sol. Não havia câmera entre nós. Conheci Ari na praia, quando eu tomava uma cerveja. Irá Santos, produtora do filme, e também pescadora, conheceu Nega “na luta“. Irá nasceu na comunidade de Garapuá (Cairu-Ba) e foi uma líder desse território. E, assim, criamos algo que o cinema também é capaz de criar: a amizade”, relata Lara.
O filme traz olhar poético sobre o mar e intimista ao retratar mundos subjetivos de seus personagens, mas também busca convocar os espectadores para a reflexão ambiental, social e econômica. Temas sensíveis, como: o pouco número de pescadores e pescadoras jovens; a diminuição dos peixes; a elevação da temperatura das águas; a contaminação das baías por metais pesados são trazidos através das perspectivas dos personagens “Onde ainda está preservado é por causa de nós, pescadoras, marisqueiras, quilombolas, extrativistas, é por causa de nós. Se dependesse de decisões equivocadas de governos, nós não existiríamos mais”, afirma “Nega” Marizelha Lopes, personagem desse filme.
“Onde a Onda Quebra” conta a história de Almir Albergaria, Ari Pescador e Nega (Marizelha Lopes), trabalhadores do mar da cidade de Salvador. Conectados pelas águas salgadas, lidam com os desafios e alegrias de suas vidas íntimas. Nega é líder das marisqueiras do Quilombo de Bananeiras, Ilha de Maré, onde empreendimentos da indústria se instalaram. Ela encontra no ativismo ambiental um lugar de liberdade. Albergaria organiza os pescadores da Colônia da Mariquita, no bairro do Rio Vermelho. Ele e sua esposa, Eunice, tentam reconstruir os afetos após a perda de uma filha, que deixou uma neta. Ari é mergulhador, presidente da colônia de pesca Z6 no bairro de Itapuã e sonha em ser vereador. Ele quer aprender a ser um homem mais carinhoso. As três histórias se entrelaçam, atravessadas pelo mar e pela urbanidade.
Equipe Cana ln
Repórter / Editor: Ricardo Henrique
Foto: ascom











