Com curadoria de Raphael Fonseca e curadoria adjunta de Amanda Tavares e Tálisson Melo, a mostra apresenta mais de 300 obras de 200 artistas das cinco regiões do país, traçando um panorama amplo e diverso das artes visuais brasileiras entre os anos de 1978 e 1993, período marcado pelo fim da ditadura militar e pela redemocratização do Brasil.
Entre as obras em exibição, Guache Marques marca presença com a impactante pintura “O Olho que Vê: Um Tributo a George Orwell” (1988), realizada com pastel seco, tinta acrílica sobre placa de Eucatex pintada com PVA. Inspirada no clássico “1984”, de George Orwell, a obra cria um diálogo visual com a figura do “Grande Irmão”, propondo uma crítica contundente à vigilância, ao autoritarismo e ao controle social, temas latentes no contexto pós-ditadura e que atravessam até hoje o imaginário político brasileiro.
“Nessa década de 80 eu me caracterizei por ser um artista com o trabalho voltado mais para o social, me encaixando num tema recorrente daquele tempo. Tínhamos acabado de sair de uma ditadura. Esse trabalho atravessou os anos 80 e foi até meados dos 90, quando comecei uma guinada em direção à cultura afro, coisa que já vinha esboçando há algum tempo“, afirma Guache Marques.
A presença de Guache na mostra reforça o compromisso dos curadores em dar visibilidade à produção artística de fora do eixo Rio-São Paulo, ao lado de nomes como Jorge dos Anjos (MG), Kassia Borges (GO), Sérgio Lucena (PB) e Vitória Basaia (MT). Além disso, a exposição também exibe obras de nomes consagrados como Leonilson, Adriana Varejão, Leda Catunda, Beatriz Milhazes e Luiz Zerbini, além da companhia dos artistas baianos Ayrson Heráclito, Goya Lopes, Bel Borba, Vauluizo Bezerra, Jayme Fygura e Leonardo Celuque, compondo um mosaico plural e pulsante da efervescência criativa daquela geração.
Dividida em cinco núcleos conceituais, todos nomeados a partir de músicas icônicas da década de 1980 – Que País é Este, Beat Acelerado, Diversões Eletrônicas, Pássaros na Garganta e O Tempo Não Para -, “Fullgás” vai além das artes visuais e mergulha na cultura da época. Capas de discos, revistas, panfletos e objetos do cotidiano complementam a narrativa expositiva, promovendo uma reflexão sobre identidade, política e estética durante um dos períodos mais transformadores da história recente do Brasil.
Artista visual nascido em Feira de Santana, na Bahia, Guache Marques, 71, tem uma trajetória marcada pelo compromisso social e pelo experimentalismo técnico. Sua produção nos anos 1980 focou temas políticos e questões do cotidiano brasileiro em tempos de transição democrática através de um surrealismo comedido numa linguagem pessoal. A partir da década de 1990, passou a explorar temas ligados à cultura afro-brasileira, dando forma às suas pesquisas anteriores com a cultura afro-brasileira, consolidando-se como um nome relevante na cena artística baiana.
Após passar pelo CCBB do Rio de Janeiro e de Brasília, a exposição segue para o CCBB Belo Horizonte, onde ficará de 27 de agosto a 17 de novembro de 2025.
Serviço:
Exposição: Fullgás – artes visuais e anos 1980 no Brasil
Artista em destaque: Guache Marques
Período: Até 4 de agosto de 2025
Local: Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo – Rua Álvares Penteado, 112 – Centro Histórico, SP
Entrada gratuita
Equipe Canal In
Repórter / Editor: Ricardo Henrique
Foto: ascom











