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Baile da Independência 2025 celebra o 2 de Julho com música, dança e homenagem a Walmir Lima

No dia 3 de julho, a partir das 18h, o Campo Grande, em Salvador, se transforma em um grande salão a céu aberto com a realização do Baile da Independência. Unindo celebração cívica, tradição popular e música de qualidade, o evento integra a programação oficial do 2 de Julho, data magna da Bahia, e convida o público a dançar em homenagem à libertação do povo brasileiro.

Com regência do maestro Fred Dantas, à frente da Orquestra Fred Dantas, o baile apresenta um repertório vibrante e eclético, pensado para embalar o público do começo ao fim. Nesta edição, a grande homenagem será prestada ao sambista Walmir Lima, ícone da música baiana, cuja obra será revisitada com arranjos especiais e participações emocionantes.

O Baile da Independência é realizado junto ao Monumento aos Heróis do 2 de Julho, próximo aos carros do Caboclo e da Cabocla, e resgata a atmosfera dos antigos bailes de quermesse que, desde o século XIX, integram as celebrações populares da Independência da Bahia. A iniciativa é promovida pela Prefeitura Municipal de Salvador, por meio da Fundação Gregório de Mattos e da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo.

Todos os anos, a Orquestra convida artistas representativos da cultura baiana. Além da homenagem a Walmir Lima, o baile recebe dois convidados especiais: a jovem cantora Letícia Coutinho, artista em ascensão nos palcos universitários e culturais da cidade, e o cantor Mário Bezerra, parceiro de longa data da Orquestra e nome marcante da cena musical baiana.

 A noite se inicia com o “Hino ao Dois de Julho”, em arranjo especial para voz e orquestra popular, evocando o espírito cívico da data. Mas o  repertório, cuidadosamente curado por Fred Dantas, viaja por diferentes paisagens sonoras: do axé music à música afro-baiana, do swing americano ao choro brasileiro, incluindo temas autorais do maestro e grandes clássicos dançantes.

Um dos momentos mais esperados será a homenagem a Walmir Lima, com destaque para canções como “Mudança da Ribeira”“Santo Amaro é uma Flor” e a emblemática “Ilha de Maré”, considerada um hino afetivo do povo baiano. Com arranjos exclusivos, a Orquestra transforma essas canções em novas experiências sonoras e coreográficas.

Como todo grande baile, o evento reserva espaço para os boleros, muito aguardados por casais e academias de dança, além de um bloco descontraído com versões orquestrais de clássicos do axé, incluindo sucessos de Ivete Sangalo e hits carnavalescos, encerrando com o espírito irreverente do trio elétrico e de Moraes Moreira, com faixas como “Chame Gente” e “Chão da Praça”.

Para o maestro Fred Dantas, o Baile da Independência representa “uma ocupação cidadã do espaço público num clima de paz e alegria“, onde a música reafirma seu papel como expressão da liberdade e da identidade baiana.

O Baile da Independência é gratuito e aberto ao público. Traga seu par, sua alegria e seus passos de dança — o Brasil livre e a Bahia em festa esperam por você no Campo Grande.

Nascido em Salvador em 18 de junho de 1931, Valmir Lima construiu uma trajetória musical marcada pela elegância melódica, pela força poética e por uma atuação decisiva na projeção do samba baiano em âmbito nacional. Ainda nos anos 1970, quando o gênero era fortemente associado ao Rio de Janeiro, Walmir Lima já havia gravado quatro LPs e circulava entre Salvador, São Paulo e a capital fluminense com naturalidade, sendo uma das figuras mais respeitadas da cena musical.

Sua música carrega a tradição, mas também aponta caminhos novos. Filho de maestro — seu pai atuava na Orquestra Bahia Serenaders — Walmir teve desde cedo o contato com a música popular e erudita, compondo a primeira canção, “Sem o seu amor”, em 1954. Em 1962, venceria seu primeiro concurso com a marchinha “Sonho de Pierrô”. Mas foi nos anos 1970 que começou a firmar seu nome entre os grandes. Suas composições passaram a ser gravadas por nomes como Ederaldo Gentil, Alcione e Beth Carvalho, consolidando uma ponte entre a Bahia e o grande circuito da música popular brasileira.

Sua obra mais célebre, “Ilha de Maré”, lançada por Alcione em 1977, se tornou um clássico e é considerada por muitos o segundo hino da Festa do Bonfim, evocando com lirismo a paisagem e o espírito do Recôncavo baiano. Regravada por Mariene de Castro, a canção perpetua sua conexão com o sagrado e o popular.

Walmir Lima é, acima de tudo, uma referência. Um sambista de voz própria, que ajudou a dar rosto e sonoridade ao samba da Bahia, sem nunca perder a conexão com as raízes populares e com a poesia que pulsa nas ruas, becos e colinas de Salvador.

Emocionado ao participar de um show em homenagem à Independência da Bahia, Walmir declarou:

É uma coisa muito especial eu participar do show em homenagem à independência da Bahia. E foi a primeira parte pra se tornar independente do Brasil. Eu me sinto tremendamente orgulhoso, muito orgulho. Beleza aquele que me escolheu pra acontecer, esse grande o maestro Fred Dantas.” — Walmir Lima

Aos 70 anos de carreira, Walmir segue influente nas rodas de samba, no Carnaval e na memória afetiva do povo baiano.

Equipe Canal In

Repórter / Editor: Ricardo Henrique

Foto: ascom